Entenda esta reportagem em 1 minuto

FUTURO DA AGRICULTURA ESTÁ NAS CIDADES

Visitamos a Pink Farms para saber como funciona a primeira fazenda vertical do Brasil, em um galpão na zona oeste de São Paulo Praia do Forte

As fazendas de milhares de hectares já não são mais a única realidade possível para a produção do alimento necessário para assegurar o futuro da humanidade. Segundo dados da ONU, cerca de 800 milhões de pessoas no mundo estão envolvidas com a agricultura urbana, seja cultivando uma horta no quintal de casa ou num canto do apartamento. Os modelos são os mais variados possíveis: individuais, coletivos ou comerciais.

 

Metrópoles como Londres, por exemplo, vêm investindo na valorização de lugares pouco prováveis para o cultivo, como espaços subterrâneos até então inutilizados. É o caso da Growing Underground, que funciona em um antigo abrigo antiaéreo de 1940, a 33 metros abaixo do solo, em Clapham Common. São 6 mil metros quadrados, dos quais 500 metros são de área cultivada permanentemente. A fazenda produz de 1 a 3 quilos de folhosas por metro quadrado semanalmente. 

Boa notícia para um cenário global em grande transformação. Relatório publicado em agosto pelo Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas deu o sinal de alerta.

FUTURO DA AGRICULTURA ESTÁ NAS CIDADES

Entenda esta reportagem em 1 minuto

FUTURO DA AGRICULTURA ESTÁ NAS CIDADES

Visitamos a Pink Farms para saber como funciona a primeira fazenda vertical do Brasil, em um galpão na zona oeste de São Paulo Praia do Forte

As fazendas de milhares de hectares já não são mais a única realidade possível para a produção do alimento necessário para assegurar o futuro da humanidade. Segundo dados da ONU, cerca de 800 milhões de pessoas no mundo estão envolvidas com a agricultura urbana, seja cultivando uma horta no quintal de casa ou num canto do apartamento. Os modelos são os mais variados possíveis: individuais, coletivos ou comerciais.

 

Metrópoles como Londres, por exemplo, vêm investindo na valorização de lugares pouco prováveis para o cultivo, como espaços subterrâneos até então inutilizados. É o caso da Growing Underground, que funciona em um antigo abrigo antiaéreo de 1940, a 33 metros abaixo do solo, em Clapham Common. São 6 mil metros quadrados, dos quais 500 metros são de área cultivada permanentemente. A fazenda produz de 1 a 3 quilos de folhosas por metro quadrado semanalmente. 

Boa notícia para um cenário global em grande transformação. Relatório publicado em agosto pelo Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas deu o sinal de alerta.

Especialistas de 100 países concluíram que a urbanização acelerada e o aquecimento global aumentarão de maneira significativa o custo da produção agrícola nos próximos anos.

Na previsão da ONU, o número de pessoas vivendo em cidades no mundo vai saltar dos atuais 54% para quase 70% em 2050. Por isso, a mensagem é clara: as grandes cidades terão que responder cada vez mais por uma parte do alimento que consomem se quisermos evitar o esgotamento dos recursos naturais do planeta.

Fazenda paulistana

Na Vila Leopoldina, bairro da zona oeste de São Paulo conhecido pela presença de produtores de moda e de audiovisual, foi criada a primeira fazenda urbana vertical em escala comercial do Brasil. A produção de hortaliças da Pink Farms acontece em um galpão de 200 metros de área produtiva, próximo à Marginal Tietê.

O cultivo das hortaliças se dá em um ambiente 100% controlado e fechado, que dispensa o uso de qualquer tipo de agrotóxico. Da semente que entra na fazenda até o alimento que sai embalado e pronto para consumo, não há praticamente contato humano. 

As plantas são alimentadas por luzes de LED azul e rosa, daí o nome da empresa, que simulam a luz do sol e aceleram a fotossíntese. Os nutrientes (água e adubo) são fornecidos em doses exatas, como na hidroponia, e todas as variáveis climáticas são controladas. A fase de desenvolvimento das hortaliças acontece em uma estrutura vertical de sete metros de altura com oito níveis. 

[Entenda esta reportagem em 1 minuto]

“TRANSFORMAR A GOL EM UMA EMPRESA DE TECNOLOGIA QUE TEM AVIÕES”

Com esta missão, a GOLlabs, que opera há pouco mais de um ano, superou em sete vezes as expectativas de crescimento.

Quem nunca fez uma selfie para postar nas redes sociais? Agora, você sabia que já é possível usar a sua selfie para fazer o check-in do seu voo? Com o uso da biometria facial, a funcionalidade batizada de “self check-in” está disponível no app da companhia aérea Gol, desde 2017. Inovações como essa nasceram a partir de encontros informais realizados desde 2015, fora do horário de trabalho, inclusive aos finais de semana, entre funcionários da GOL, como conta Paulo Palaia, CIO da companhia e atual diretor da GOLlabs

Outras ideias foram concebidas e colocadas em prática neste mesmo período, como o Voo Junto, uma pulseira NFC, que permite aos pais acompanharem pelo app da GOL cada movimentação dos filhos que viajam desacompanhados. Foi também neste contexto que o recurso de geolocalização, disponibilizado no app, foi patenteado. 

A coisa funciona mais ou menos assim: com base no horário do voo e na localização do cliente, o app informa o tempo previsto para locomoção até o aeroporto. Se por ventura, o cliente chegar mais cedo no aeroporto, a funcionalidade sugere um voo antecipado. Do contrário, ou seja, caso ele tenha algum problema no caminho, como um pneu furado, por exemplo, o app detecta e já sugere o próximo voo previsto na escala. Para se ter uma ideia, o app da GOL já teve mais de 490 mil downloads feitos por iOS e 780 mil por Android.

Todas essas inovações começaram a despertar o interesse da diretoria da GOL, que decidiu investir em uma nova unidade de negócio, que teria como objetivo trazer diferentes soluções para os canais digitais e aeroportos, tendo como foco a melhoria da experiência dos clientes. Palaia fala um pouco sobre este contexto: 

Especialistas de 100 países concluíram que a urbanização acelerada e o aquecimento global aumentarão de maneira significativa o custo da produção agrícola nos próximos anos.

ESTUDANDO O MERCADO

Com o apoio do board, a equipe destacada para estar à frente do novo empreendimento, partiu para um estudo de benchmarking, que durou cerca de um ano. Foram escolhidas três companhias aéreas, com modelos distintos de labs de inovação: Ryanair, Southwest Airlines Co. e Qantas Airways. 

Resumidamente, a irlandesa Ryanair trabalha o conceito de inovação no core da companhia. Já a norte-americana Southwest Airlines Co. optou por um modelo que aplica a inovação no core business e adjacências, o que significa levar em conta serviços como hotelaria, seguradoras, apps de aluguel de carro etc. 

No caso da australiana Qantas Airways, o conceito de inovação é expandido ao máximo e vai além da cadeia de valor da empresa. Na prática, isso significa que a inovação pode se dar em qualquer lugar. Um exemplo: quem baixa o app da companhia, tem a opção de usar uma funcionalidade que contabiliza passos que serão posteriormente transformados em milhas no programa de fidelidade da Qantas. Quem banca essas milhas é uma seguradora de saúde. 

É importante considerar o contexto em que nasce a GOLlabs. Entre 2017 e 2018, vivíamos um cenário de retração econômica que, assim como tantos outros, afetou em cheio o setor aéreo. Manchetes como "Os passageiros sumiram" (Istoé, Ago.2017) traduziam o momento que impôs a maior crise da década. Na época (dados de 2016), o setor amargou uma retração de 6,9% no número de viajantes, considerando trajetos nacionais e internacionais, no pior resultado desde 2007. Talvez por isso mesmo, a direção da companhia tenha apostado no lab, em um modelo de inovação aplicada ao core business, operando de forma autossustentável (selfie funding).

Considerando o tamanho do complexo onde funcionam os escritórios da GOL, um terreno tombado dos anos 40 de propriedade da Infraero, o lab ocupa um espaço físico modesto. É ali, onde há um ano circulam 13 funcionários de diferentes áreas: MKT, Aeroportos, TI (Designers (UI/ UX), Desenvolvedores, Arquitetos da Informação) e Finanças. “O técnico de TI pode saber do negócio, mas ele não tem aquele calor de quem está no aeroporto diretamente com o cliente”, diz Palaia.

Tão importante quanto ter uma equipe multidisciplinar, é ter o respaldo da alta diretoria da empresa. E isso sempre foi uma característica da GOLlabs, desde o dia um.

A unidade de negócios, que está atrelada à área de TI, responde diretamente ao board. Mensalmente, acontece o Comitê de Inovação, que conta com a participação do CEO Paulo Kakinoff, além de conselheiros da empresa, do diretor da área de Gente e Gestão (“afinal, inovação tem que fazer parte da cultura da empresa”), consultores externos e do próprio Palaia. É nesta ocasião que são apresentados resultados,erros e o que está no road map. 

No que depender dos bons resultados, a área terá vida longa. O lucro inicial projetado para o lab era um EBIT de 10%, número que se revelou conservador. Para se ter uma ideia, eles fecharam o ano de 2018 com margem EBIT superior de 83 pontos percentuais. Este ano, o cenário continua animador: a meta era um EBIT de 85% e o labs já alcançou 93%. Palaia fala um pouco sobre os excelentes - e surpreendentes - resultados e como o excedente está sendo reinvestido no próprio lab: 

IDEIAS SIMPLES, CICLOS CURTOS 

Ao fazer uma busca por um voo, normalmente temos que lidar com uma lista de opções de ida e volta e cabe a nós, clientes, montar o “combo” que melhor nos atende. E vamos combinar que esta é uma etapa bastante chata, não é mesmo? Pensando nisso, a GOLlabs desenvolveu o que chamou de “tarifa inteligente”. Além de trazer todas as opções possíveis de voos, de acordo com cada pesquisa, um banner salta ao olhos do cliente com as opções de ida e volta mais baratas já previamente combinadas. Em um clique, o cliente consegue efetuar a sua compra. "Este é um exemplo de um produto relativamente simples que foi lançado em apenas duas semanas e um dos mais utilizados pelos clientes", conta Lara Finatti Perbeils, Product Owner na GOLlabs.

Os ciclos de criação, que são curtos, partem sempre de um problema, de uma dor a ser solucionada. O decorrer do processo que envolve as etapas de ideação, validação, crescimento e escala pode se dar em poucas semanas ou, no máximo, em dois meses. A agilidade é crucial. 

Uma grande aposta da GOLlabs tem sido a tecnologia de biometria facial. Palaia conta que graças a uma parceria com uma startup, que desenvolveu um algoritmo de reconhecimento facial por meio de uma simples câmera de celular, foi possível baratear os custos e colocar em prática algumas das inovações recentes da companhia. 

Em maio de 2019, disponibilizaram o primeiro totem que usa a biometria facial para o onboarding no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Na prática, isso significa a não conferência do ticket. No momento, estão trabalhando com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para que o agente de aeroporto não tenha mais a obrigação de, ainda assim, conferir a documentação do viajante. Tudo seria validado pelo reconhecimento facial. “Já vimos uma melhora de 13% do tempo de embarque. Encurtar o tempo de turn around da aeronave (espaço de tempo entre o pouso e a decolagem) significa, no fim do dia, mais tempo de voo”, diz Palaia.

SEM INTEGRAÇÃO, NÃO HÁ COMO INOVAR 

Um bom exemplo de integração entre a GOLlabs e outras áreas de negócios foi o desenvolvimento do serviço de atendimento por WhatsApp, que permite aos clientes a interação com Bots de Inteligência Artificial para a consulta dos dados da reserva. 

O ponto de partida foi uma demanda da Central de Relacionamento com o Cliente. Boa parte deste atendimento é destinado a tirar dúvidas muito simples dos clientes, como dados da passagem. A solução desenhada teve como objetivo automatizar o atendimento mais primário, de forma a liberar os atendentes para resolver problemas mais complexos. 

A partir daí, outras áreas foram acionadas pelo labs, como as de Marketing e a de Produtos, Experiências e Relacionamento com o Cliente, para determinar, por exemplo, qual seria o conteúdo deste atendimento e a linguagem mais adequada, levando em conta a persona desenvolvida para a assistente virtual da GOL, a Gal. Lara Perbeils explica como funciona a tecnologia:

No caso da elaboração deste novo serviço, a participação do time de experiência do cliente aconteceu desde o dia um. Na rotina do labs há sempre um representante da área que participa das reuniões com o olhar setado para os negócios. “Uma das funções do lab é olhar para o que está acontecendo fora da nossa indústria. Mas, nós sabemos quais são os “pain points” dos nossos clientes. É importante avaliar o que trará diferencial competitivo do ponto de vista da Gol, sempre levando em conta o que tornará a experiência do cliente mais fluida e diminuirá os seus pontos de estresse”, afirma a diretora de Produtos, Experiências e Relacionamento com o Cliente, Carolina Trancucci.

Para Carolina, a inovação e o aspecto humano tem que caminhar juntos e uma das dificuldades está em desenhar serviços, produtos e experiências que atendam a públicos distintos. Ela lembra, por exemplo, que em um mesmo voo, entre as possíveis 186 pessoas a bordo, temos aquelas que estão fazendo a sua primeira viagem de avião, outras que viajam semanalmente e um mix de gerações. “Nem toda solução que a gente desenhar vai valer para 100%, mas ela tem que agregar muito valor para aquele grupo de pessoas”. Aqui, ela fala um pouco mais sobre este olhar: 

 

DE FORA PARA DENTRO

Desde o princípio, a escolha da GOL para seu lab foi a de promover inovação de dentro para fora, partindo da seguinte premissa: “Nós conhecemos as nossas dores. O que podemos fazer para melhorar a experiência do nosso cliente?”, como fala Palaia. Pode-se entender então que fechado o primeiro ano de seu funcionamento, a GOLlabs entra em um novo momento em que a inovação também vai se dar de fora para dentro. A busca é por inovação com mais velocidade.

Em conjunto com a Endeavor e o Cubo, ambas organizações de apoio ao empreendedorismo, a GOLlabs abre espaço para interação com iniciativas desenvolvidas pelo mercado que estejam conectadas ao setor de aviação, iniciando assim um novo relacionamento com o ecossistema de startups no país. 

Neste momento, algumas nacionais e internacionais já foram pré-selecionadas e deverão passar por uma prova de conceito, que tem como objetivo avaliar se elas terão condições que atingir os KPIs setados pela companhia aérea. "Com as novas parcerias, além de criarmos com o nosso time interno, também focaremos em Open Inovation, e estaremos abertos para potencializar ideias de fora que sejam adequadas ao nosso dia a dia”, diz Palaia. 

Há 18 novas ideias nascidas na GOLlabs, já aprovadas pela companhia para serem colocadas em prática, seguindo um calendário mensal, até o final de 2020. Entre elas, o projeto piloto de gestão de processos com automação dos indicadores e dados de solo relacionados ao pouso e decolagem das aeronaves. No que depender dos bons resultados, até agora, este é só o começo de uma revolução que, como diz Palaia, pretende “transformar a GOL em uma empresa de tecnologia que tem aviões”.

Saiba mais acessando o Minidoc da GOLlabs no canal ExperienceTV.

Texto: Luana Dalmolin

Vídeo: JPlay

Foto: Marcos Mesquita

Logo Experience Club - Branco_2x.png